De férias no papel, campanha nas ruas

Funcionários relatam ao Embu News que servidores da Prefeitura e trabalhadores ligados à IRDESI teriam sido colocados formalmente de férias e direcionados para atividades de campanha

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Funcionários da Prefeitura de Embu das Artes procuraram o Embu News para relatar uma situação envolvendo servidores municipais e trabalhadores ligados à organização social IRDESI durante o período eleitoral.

Foto: IRDESI — Reprodução

Segundo os relatos recebidos pela reportagem, funcionários teriam sido colocados formalmente de férias e, mesmo durante o período de afastamento, direcionados para atividades nas ruas relacionadas a uma campanha política.

Uma das fontes afirmou:

“Ele deu férias pro máximo de pessoas que pode da prefeitura e obrigou a trabalhar nas ruas fazendo campanha sem ganhar nada.”

A reportagem questionou se as férias mencionadas na denúncia eram formalizadas por documentos.

A resposta foi:

“Sim.”

Quando questionada sobre a existência de documentação do setor de Recursos Humanos, a fonte respondeu:

“Documento pelo RH.”

Servidores concursados e funcionários da IRDESI

De acordo com o relato, os procedimentos seriam diferentes conforme o vínculo dos trabalhadores.

Segundo a fonte, os servidores concursados fariam o pedido formal de férias.

Já os funcionários ligados à organização mencionada na denúncia assinariam um termo.

Questionada pela reportagem sobre qual organização estaria envolvida, a fonte respondeu:

“Isso!”

A referência era à IRDESI.

Ainda segundo o relato, os trabalhadores seriam direcionados para atividades nas ruas durante o período em que estariam oficialmente afastados.

A fonte também afirmou haver insatisfação entre funcionários:

“Tem muita gente revoltada com isso.”

Afastamento do prefeito Hugo Prado

A denúncia ocorre durante o mesmo período em que o prefeito de Embu das Artes, Hugo Prado (Republicanos), teve aprovada pela Câmara Municipal uma licença temporária do cargo.

Segundo as informações encaminhadas à reportagem, os vereadores aprovaram, em sessão realizada na quarta-feira (9), em regime de urgência, um decreto legislativo de autoria da presidência da Câmara autorizando o afastamento.

A licença está prevista para ocorrer entre 14 de setembro e 4 de outubro, totalizando 20 dias.

Durante o período, Hugo Prado não receberá salário.

A justificativa apresentada para o afastamento é o tratamento de “assuntos de interesse particular”.

Segundo informações publicadas pelo VERBO, o vereador Abidan Henrique (PSB) foi o único presente a votar contra a licença. Na ocasião, o parlamentar afirmou: “’Tão’ dizendo que é campanha”.

Ainda segundo a publicação, Hugo Prado atuaria durante o período eleitoral como cabo eleitoral do ex-prefeito Ney Santos, candidato a deputado federal, e de Ely Santos, candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa.

Foto: — Reprodução Instagram

Ney Santos e a campanha eleitoral

Ney Santos, ex-prefeito de Embu das Artes, disputa uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026.

Ely Santos concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa.

Segundo as informações recebidas pelo Embu News, a participação política de Hugo Prado durante o período de licença estaria relacionada às campanhas de Ney Santos e Ely Santos.

A justificativa formal registrada para o afastamento do prefeito, entretanto, é de que a licença ocorre para tratar de assuntos de interesse particular.

Episódio semelhante em 2018

Em 2018, quando Ney Santos ocupava o cargo de prefeito de Embu das Artes, ele também se licenciou temporariamente da Prefeitura durante o período eleitoral.

Na ocasião, segundo as informações fornecidas à reportagem, o afastamento ocorreu para que Ney Santos atuasse na campanha de Ely Santos, então candidata a deputada federal.

Ely Santos não foi eleita naquele pleito.

Foto: Instagram — Reprodução

O que consta na denúncia

Os relatos recebidos pelo Embu News apontam que:

  • funcionários da Prefeitura teriam sido colocados formalmente de férias;
  • servidores concursados fariam pedido formal de férias;
  • funcionários ligados à IRDESI assinariam termos relacionados ao afastamento;
  • parte desses trabalhadores teria sido direcionada para atividades nas ruas durante o período de férias;
  • segundo a fonte, não haveria pagamento adicional pelas atividades;
  • a fonte afirma que haveria funcionários revoltados com a situação.

A reportagem ainda não recebeu, até o momento, os documentos mencionados pela fonte que comprovem a quantidade de funcionários envolvidos, os períodos de férias ou a participação dos trabalhadores nas atividades de campanha.

A Prefeitura de Embu das Artes, Hugo Prado, Ney Santos e a IRDESI poderão apresentar seus esclarecimentos sobre os fatos relatados.

O Embu News continuará acompanhando o caso.


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