Eram cerca de 5h30 da manhã de 13 de agosto de 2026, quando o vereador e candidato a deputado estadual Abidan Henrique (PSB) chegou ao Jardim Tomé, em Embu das Artes, para acompanhar uma assembleia de trabalhadores da coleta de lixo em greve.
Pouco depois, dois homens encapuzados se aproximaram.
Segundo o relato feito por Abidan à polícia, eles questionaram sua presença no local e mandaram que ele parasse de fiscalizar a Prefeitura.
A abordagem terminou em agressão. O vereador afirma ter levado um soco no rosto e um chute na perna.
Trabalhadores que participavam da assembleia reagiram e perseguiram os homens. Um deles teria sido alcançado.
Foi quando um carro apareceu.
Segundo o relato registrado na ocorrência, o motorista teria ameaçado os trabalhadores com uma arma, permitindo a fuga dos envolvidos.
O caso foi registrado na Delegacia de Embu das Artes como vias de fato e ameaça.
Agora, um novo depoimento coloca um personagem dentro da história.
Bruno admite que estava com os dois homens

Bruno dos Santos, ligado ao grupo político de Ney Santos, compareceu à delegacia e, segundo seu depoimento, admitiu ter participado da dinâmica da ocorrência.
A versão apresentada por Bruno é direta.
Ele afirma que estava no Jardim Santo Antônio, acompanhado de dois homens, e que pretendia dar carona a eles.
Foi quando teria visto Abidan.
Segundo o depoimento, Bruno afirmou que tinha uma “diferença pessoal” com o vereador.
Os dois homens então teriam descido do veículo.
Foram até Abidan.
E o agrediram.
Depois, voltaram para o carro.
Bruno afirma que os levou embora e os deixou em outro ponto.
O detalhe que chama atenção está justamente aí: embora diga que estava com os dois homens antes e depois da agressão, Bruno afirma não saber quem eles são.
Também não teria informado exatamente onde os deixou.
A tatuagem em homenagem a Ney Santos
A relação de Bruno com o grupo político de Ney Santos não aparece apenas nas fotografias.
Bruno também carrega uma tatuagem feita em homenagem ao ex-prefeito Ney Santos, símbolo permanente de sua admiração pelo político.
O registro ganha destaque diante do novo depoimento prestado à polícia.
Bruno afirma ter estado com os dois homens que, segundo sua própria versão, agrediram Abidan e os transportado de carro depois do ataque.
A tatuagem, por si só, não demonstra qualquer participação de Ney Santos ou de outras pessoas na agressão.
Mas ajuda a contextualizar a proximidade política de Bruno com o ex-prefeito.

Fotos mostram Bruno ao lado de Ney, Renato e Hugo
Além da tatuagem, o Embu News teve acesso a registros fotográficos nos quais Bruno aparece ao lado de figuras importantes da política de Embu das Artes.
Nas imagens, ele aparece ao lado de Ney Santos, Renato Oliveira e Hugo Prado, em momentos distintos.
Uma das fotografias mostra Bruno ao lado de Ney Santos.
Outra registra sua proximidade com Renato Oliveira.
Há ainda imagens em que Bruno aparece ao lado do atual prefeito Hugo Prado.
Os registros não comprovam que qualquer uma dessas pessoas tenha participado da agressão contra Abidan.
Mas mostram que Bruno circulava próximo a personagens importantes da política municipal.
E uma das fotografias ganha especial relevância quando colocada ao lado do caso Binho.





A proximidade entre Bruno e Renato Oliveira
Entre as imagens obtidas pelo Embu News, uma chama atenção pela presença de Bruno dos Santos ao lado de Renato Oliveira.

Renato é um dos personagens centrais de outro episódio de violência que marcou a história recente de Embu das Artes.
Em 2017, o jornalista Gabriel Binho foi vítima de um atentado na Rodovia Régis Bittencourt.
Segundo a acusação reproduzida em decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, um veículo perseguiu o jornalista, provocou sua queda e, depois, foram efetuados disparos de arma de fogo. Binho sobreviveu, mas sofreu uma fratura no tornozelo.
O processo levou Renato Oliveira e Lenon Roque a responderem por tentativa de homicídio qualificado. O TJ-SP manteve a decisão de pronúncia dos acusados para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Na época, Renato fazia parte da estrutura do governo de Ney Santos.
Agora, quase nove anos depois, uma fotografia coloca Bruno — o homem que admite ter estado com os dois supostos agressores de Abidan — ao lado de Renato Oliveira.
É uma proximidade que chama atenção justamente porque os dois nomes aparecem em momentos diferentes de histórias envolvendo pessoas que exerciam atividade crítica ou de fiscalização do poder municipal.
A coincidência do “problema pessoal”
Existe ainda outra coincidência entre os dois episódios.
No caso Binho, Renato Oliveira sustentou que o conflito com o jornalista era de natureza pessoal, afastando a hipótese de motivação política.
No caso Abidan, Bruno apresenta uma justificativa semelhante.
Em seu depoimento, afirma que tinha uma “diferença pessoal” com o vereador.
São dois episódios diferentes, ocorridos em anos distintos e sem prova, até o momento, de que estejam conectados.
Mas a coincidência está registrada nas próprias versões apresentadas pelos envolvidos:
um problema descrito como pessoal em um caso; uma diferença pessoal no outro.
E, nos dois episódios, as vítimas estavam envolvidas em atividades de crítica, fiscalização ou questionamento do poder municipal.
No caso de Binho, tratava-se de um jornalista.
No caso de Abidan, de um vereador que estava acompanhando trabalhadores em greve e, segundo seu relato, foi mandado parar de fiscalizar a Prefeitura.
Os casos são diferentes e não há, até o momento, prova de que tenham os mesmos autores ou façam parte de uma mesma ação.
Mas a coincidência entre as versões apresentadas como “problema pessoal” permanece como parte da história.
O histórico de Bruno com Abidan
O nome de Bruno já havia aparecido em uma ocorrência envolvendo o vereador.
Durante a campanha eleitoral de 2024, Abidan registrou um boletim de ocorrência relatando uma ameaça que teria sido feita por Bruno.
Segundo o relato, ele teria dito que iria “arrancar o cabelo” do vereador.
Dois anos depois, os dois nomes voltam a aparecer em uma ocorrência policial.
Desta vez, em um episódio de agressão física.
O carro também está no centro da investigação
Bruno afirma que o veículo utilizado na ação era dele.
Segundo informações levantadas pelo Embu News, porém, ele não teria apresentado comprovante de transferência capaz de comprovar imediatamente a propriedade do automóvel.
O carro é importante para reconstruir a sequência dos acontecimentos.
Segundo o relato de Abidan, foi utilizado para retirar os envolvidos do local.
Segundo Bruno, era ele quem conduzia o veículo.
A investigação terá de confrontar essa versão com imagens, testemunhos e demais elementos disponíveis.
Uma história que ainda está sendo reconstruída
O depoimento de Bruno acrescenta uma nova peça ao caso.
Ele afirma que estava com os dois homens.
Diz que os levou de carro.
Diz que os viu descer para abordar Abidan.
Diz que os viu retornar.
E diz que os levou embora.
Mas afirma não saber quem são.
Ao mesmo tempo, registros fotográficos mostram Bruno ao lado de Ney Santos, Renato Oliveira e Hugo Prado, em momentos distintos.
E há uma imagem particularmente significativa para a narrativa: Bruno ao lado de Renato Oliveira, personagem que responde na Justiça pelo caso envolvendo o jornalista Gabriel Binho.
Não se trata de afirmar que uma fotografia prova participação em qualquer crime.
É um registro de proximidade.
Mas é justamente essa sequência de coincidências que chama atenção.
Em 2017, Binho.
Em 2026, Abidan.
Nos dois casos, pessoas envolvidas em atividades de crítica ou fiscalização do poder municipal relatam episódios de violência ou intimidação.
E, nos dois episódios, surge a justificativa de que o conflito seria “pessoal”.
Agora, a investigação terá de reconstruir o que aconteceu naquela manhã de agosto no Jardim Tomé.
Porque, por trás do soco e do chute, permanece uma história maior:
quem eram os dois homens, por que estavam com Bruno e por que um vereador que fiscalizava a Prefeitura foi escolhido como alvo naquela manhã?
Direito de resposta
O Embu News está à disposição dos envolvidos para manifestação, esclarecimento ou contestação das informações apresentadas nesta reportagem.
Crédito das imagens: Reprodução/Arquivo.



