“Pode cobrar”: Abidan revela sua principal promessa para Embu

Em encontro com cerca de 400 pessoas e lideranças de 20 cidades, candidato apresenta compromissos para saúde, transporte, segurança e educação e afirma que população poderá cobrar resultados

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Abidan Henrique ao lado de Simone Tebet e Tabata Amaral durante o encontro “Rumo à Vitória”, em Embu das Artes. Foto: Divulgação.

Há uma pergunta que costuma desaparecer no meio de uma campanha eleitoral: o que, exatamente, um candidato pretende fazer quando a campanha terminar?

Em Embu das Artes, durante o encontro “Rumo à Vitória”, o candidato a deputado estadual Abidan Henrique tentou responder a essa pergunta apresentando uma lista de propostas que, segundo ele, pretende levar para a Assembleia Legislativa de São Paulo.

O encontro reuniu aproximadamente 400 pessoas, segundo a organização, além de lideranças de cerca de 20 cidades. Entre os nomes presentes estavam a candidata ao Senado Simone Tebet, a deputada federal Tabata Amaral, os candidatos a deputado federal Juliana Curvelo, de Osasco, e Odair Gomes, de Itapecerica da Serra, além dos vereadores Matheus Taboreli, de São Roque, e Mauro Cavaleiro, de Itapecerica da Serra.

Militantes e apoiadores participam de caminhada durante o encontro em Embu das Artes. Foto: Divulgação.

Mas o discurso de Abidan não ficou restrito à mobilização política.

Ao responder ao Embu News, o candidato colocou a saúde como o principal problema que pretende enfrentar em Embu das Artes — e assumiu compromissos específicos para um eventual mandato.

Público participa do encontro “Rumo à Vitória”, que reuniu cerca de 400 pessoas, segundo a organização. Foto: Divulgação.

A fila que o paciente não consegue enxergar

Abidan escolheu um problema cotidiano para explicar sua prioridade.

Segundo ele, moradores de Embu das Artes aguardam durante meses por procedimentos médicos sem saber exatamente onde estão na fila ou quando serão atendidos.

Sua proposta é utilizar o sistema estadual de regulação, o CROSS, para ampliar a transparência dessas filas.

“O cidadão tem que saber onde está na fila e quando vai ser atendido. Saúde não pode continuar sendo sorte.”

A proposta apresentada pelo candidato tem dois elementos: transparência e prioridade baseada na gravidade do caso.

A ideia, segundo Abidan, é permitir que o paciente acompanhe sua situação e que os critérios de atendimento sejam conhecidos pela população.

É uma promessa que, se levada adiante, poderá ser medida por algo bastante simples: o cidadão saberá ou não saberá onde está na fila?

Remédio em Casa: a proposta que Abidan transforma em compromisso

Entre todas as propostas apresentadas, uma recebeu destaque especial.

É o Remédio em Casa, programa que o candidato afirma que pretende defender para garantir a entrega domiciliar de medicamentos de alto custo.

O público prioritário, segundo ele, seriam principalmente pessoas idosas e pessoas com deficiência que dependem desses medicamentos.

A lógica apresentada é direta: em vez de o paciente enfrentar deslocamentos e filas para retirar o medicamento, o tratamento deveria chegar até sua residência.

E Abidan foi além da apresentação de uma proposta.

Quando questionado pelo Embu News sobre qual compromisso concreto assumiria com os moradores de Embu das Artes, escolheu justamente o programa.

“O compromisso que assumo hoje, e que pode ser cobrado do primeiro ao último dia de mandato, é o Remédio em Casa.”

É, portanto, um compromisso que pode ser acompanhado pela população caso ele conquiste uma cadeira na Assembleia Legislativa.

O preço de morar em Embu e trabalhar em São Paulo

O segundo grande problema apontado pelo candidato está fora do consultório e dentro do transporte público.

Embu das Artes é uma cidade marcada pelo deslocamento diário de trabalhadores para a capital.

Abidan resumiu essa realidade em uma frase:

“Embu é uma cidade onde as pessoas trabalham na capital e dormem aqui.”

A proposta apresentada é a integração tarifária entre os sistemas de transporte, permitindo, segundo ele, que o trabalhador possa sair de Embu das Artes em direção ao metrô pagando uma tarifa integrada, em vez de arcar com múltiplas passagens.

Abidan Henrique e Tabata Amaral durante caminhada pelas ruas de Embu das Artes. Foto: Divulgação.

O candidato reconhece que parte importante dessa estrutura está sob responsabilidade estadual e cita a atuação da EMTU e do Metrô.

Por isso, afirma que pretende usar o mandato parlamentar para pressionar o governo estadual por mudanças.

A questão, neste caso, também é objetiva: quanto o trabalhador de Embu poderia economizar e quais seriam os mecanismos necessários para que essa integração realmente aconteça?

São respostas que uma eventual atuação parlamentar terá de produzir.

Segurança sem fronteiras municipais

Quando o assunto é segurança pública, Abidan defende uma estratégia regional.

A justificativa é simples: o crime não termina na placa que separa Embu das Artes de outro município.

A proposta apresentada envolve monitoramento integrado por câmeras, conexão entre municípios e comunicação com a Polícia Militar.

Abidan Henrique e Tabata Amaral durante a mobilização política em Embu das Artes. Foto: Divulgação.

Para o candidato, a tecnologia precisa ser acompanhada de inteligência e integração entre as forças de segurança.

Ele também afirma que pretende exercer fiscalização sobre a aplicação dos recursos públicos destinados à área.

Educação: depois do ensino médio, e agora?

A terceira prioridade apontada por Abidan é a educação.

Nesse campo, ele apresenta a Mentoria Pé-de-Meia, iniciativa desenvolvida em parceria com Tabata Amaral e voltada a estudantes da rede pública. O projeto busca aproximar jovens de profissionais e ajudá-los a tomar decisões sobre universidade, formação e mercado de trabalho.

A proposta parte de uma constatação: para muitos jovens da periferia, o problema não termina quando conseguem permanecer na escola.

Existe outra pergunta:

o que fazer depois?

Abidan pretende levar essa lógica para uma eventual atuação estadual, defendendo orientação aos estudantes sobre os próximos passos após o ensino médio.

Da fiscalização para a Assembleia

Mas há outro elemento importante na candidatura.

Abidan tenta construir sua identidade política a partir da fiscalização do poder público.

Ao responder por que o eleitor deveria olhar para suas propostas e não apenas para o discurso eleitoral, ele citou sua atuação como vereador e as denúncias que afirma ter feito sobre a utilização de recursos públicos.

Segundo o candidato, ele denunciou o que considera irregularidades envolvendo recursos destinados à saúde e à segurança e afirmou que teria sofrido consequências políticas por sua atuação.

Essas são afirmações feitas pelo próprio candidato e devem ser analisadas à luz dos documentos, processos e demais versões envolvidas em cada caso.

O ponto central de sua resposta, entretanto, foi outro.

Abidan afirma que pretende levar para a Assembleia a mesma postura de fiscalização que diz ter adotado em Embu das Artes.

“O eleitor de Embu não precisa acreditar na minha palavra, é só olhar o que eu já fiz quando era mais fácil ficar calado.”

A promessa agora tem endereço: Embu das Artes

A campanha eleitoral transforma discursos em promessas.

E promessas, quando são específicas, podem ser cobradas.

Abidan apresentou pelo menos quatro compromissos que permitem esse acompanhamento: transparência das filas de cirurgia, Remédio em Casa, integração tarifária no transporte e ampliação da articulação regional na segurança pública.

Abidan Henrique e Tabata Amaral participam de caminhada durante o evento em Embu das Artes. Foto: Divulgação.

Também colocou a educação entre suas prioridades, defendendo a expansão da lógica da Mentoria Pé-de-Meia.

O desafio, entretanto, começa justamente depois da eleição.

Porque fiscalizar é uma coisa.

Transformar uma proposta em política pública, conseguir orçamento, articular o Estado e entregar resultado é outra.

É nesse intervalo — entre o discurso e a execução — que o eleitor poderá medir o tamanho real de cada promessa.

E foi justamente nesse ponto que Abidan decidiu colocar sua candidatura à prova.

Não pediu apenas que a população acreditasse.

Disse que pretende ser cobrado.

Para Embu das Artes, essa talvez seja a parte mais importante da entrevista.

Porque, no fim, a pergunta que permanece não é apenas o que um candidato promete durante a campanha.

É o que a população poderá cobrar dele quando as urnas já tiverem fechado.


Embu News continuará acompanhando as propostas dos candidatos da região e confrontando promessas eleitorais com fatos, documentos e resultados.

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