Coragem sob pressão: promotora e juíza enfrentam poder político e barram novamente Embu Country Fest

A Prefeitura insiste em realizá-lo em novembro, mesmo diante da calamidade dos serviços públicos e dívidas milionárias com empresas e prestadores de serviço

Em Embu das Artes, duas mulheres da Justiça se tornaram símbolos de resistência em meio à pressão política e econômica. A promotora Camila Bonafini Pereira e a juíza Ana Sylvia Lorenzi Pereira barraram novamente o Embu Country Fest, evento milionário bancado com recursos públicos, enquanto a cidade enfrenta dívidas com empresas de transporte, atrasos na saúde e a paralisação de exames clínicos.

Apesar das decisões firmes, a Prefeitura insiste em realizar o festival em novembro, sob o argumento de que os shows já foram pagos — sem, no entanto, buscar a devolução dos valores milionários para aplicar em áreas essenciais como saúde e educação.

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O escândalo do Embu Country Fest

Segundo o Ministério Público, foram R$ 2,7 milhões remanejados de áreas essenciais para a Cultura. Recursos que poderiam aliviar a crise nos hospitais, garantir medicamentos, pagar a empresa de ônibus que mantém o transporte público e regularizar contratos com organizações sociais de saúde.

Mesmo assim, a Prefeitura voltou a peticionar pelo evento, e novamente a Justiça indeferiu o pedido, reforçando que autorizar os shows violaria a supremacia do interesse público e perpetuaria irregularidades administrativas já reconhecidas.

A decisão judicial e o parecer do Ministério Público

A promotora Camila Bonafini Pereira foi categórica em seu parecer: a simples alegação de que os shows já foram pagos não afasta as irregularidades administrativas. Além disso, destacou que o município não demonstrou qualquer esforço em recuperar os valores já transferidos aos artistas, embora os contratos prevejam cláusulas que permitiriam reaver até 90% do montante pago.

A juíza Ana Sylvia Lorenzi Pereira, em sua decisão de 11 de agosto de 2025, acolheu integralmente o parecer do MP e indeferiu a solicitação do Município, reafirmando a grave situação financeira da cidade e a necessidade de priorização da saúde, educação e transporte.

Documentos Oficiais

O poder de Ney Santos nos bastidores

Embora oficialmente a ação seja movida pelo Município, relatos internos apontam o ex-prefeito Ney Santos como verdadeiro articulador da realização dos shows. Mesmo fora do cargo, ele mantém forte influência sobre Executivo e Legislativo locais, e recebe cerca de R$ 19 mil mensais como servidor público.

Ney Santos ao lado do presidente da Câmara Federal, Hugo Motta.

O festival de inverno e o mistério dos custos

Recentemente, Embu das Artes realizou o Festival de Inverno, com artistas famosos, oficialmente “sem custo para a Prefeitura”. A grande pergunta é: quem bancou os cachês? A troco de quê?

E mais: quem pagou pelo palco, som, iluminação e toda a estrutura de produção? Perguntas que permanecem sem resposta oficial e levantam suspeitas sobre interesses ocultos por trás dos eventos culturais da cidade.

Mulheres que enfrentam o sistema

Em meio a pressões e riscos, a promotora e a juíza se destacaram como vozes firmes contra o uso de recursos públicos em shows milionários enquanto a população sofre com a falta de serviços básicos. Seus atos são hoje símbolo de coragem institucional e resistência contra a captura do Estado por interesses privados.

Conclusão

O caso do Embu Country Fest já não é apenas sobre um festival de música. É sobre uma cidade mergulhada em dívidas e crise de serviços essenciais, que insiste em bancar shows milionários enquanto não paga transporte, saúde e prestadores de serviços.

A pergunta que não quer calar: quem está financiando os eventos de Embu das Artes e a que custo para a população?

Coragem sob pressão: a trajetória da Dra. Camila

A promotora de Justiça Dra. Camila Bonafini Pereira, conhecida por sua firme atuação no combate ao crime organizado, voltou a se destacar em Embu das Artes. Como destacou o Embu News em sua cobertura: “Coragem sob pressão: promotora e juíza enfrentam poder político e barram novamente o Embu Country Fest”.

Além de sua atuação corajosa em casos que enfrentam diretamente pressões políticas e interesses econômicos, Dra. Camila também é autora da obra “Combate ao Crime Organizado e o Garantismo Social” (2019). No livro, analisa os efeitos da globalização sobre a criminalidade organizada, as dificuldades dos Estados em enfrentá-la e os limites necessários para preservar os direitos fundamentais, com base na teoria do garantismo penal de Luigi Ferrajoli.

Recomenda-se aos embuenses a leitura desta obra — extremamente propícia para compreender os dias atuais de Embu das Artes, em que decisões firmes e juridicamente embasadas se mostram essenciais para proteger o interesse público diante de um cenário de crises e pressões.