Arma ilegal, viagem suspeita e risco político: MP pede condenação de Ney Santos e ex-prefeito pode ficar inelegível

Parecer da Procuradoria expõe contradições, reforça provas e coloca futuro político de Ney Santos sob ameaça da Lei da Ficha Limpa

Era uma viagem oficial. Um carro da Prefeitura. Um prefeito em exercício.

Mas o que a polícia encontrou naquela abordagem, em uma rodovia do interior paulista, transformaria uma simples fiscalização em um caso que hoje ameaça encerrar uma carreira política.

Dentro do veículo: uma arma com numeração raspada, munições, equipamentos táticos — e perguntas que, anos depois, ainda ecoam nos tribunais.

Agora, o Ministério Público fala em alto e bom som: há provas suficientes para manter a condenação de Ney Santos.


O parecer que pode selar o destino político

A Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo foi categórica ao analisar o recurso da defesa do ex-prefeito Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos.

No documento, o procurador Eduardo Ferreira Valerio pede a manutenção integral da condenação, destacando que o conjunto de provas é consistente e suficiente.

“O conjunto probatório é robusto e apto a demonstrar a responsabilidade do réu”

VEJA PARECER DA PROCURADORIA-GERAL DA JUSTIÇA (MP) PELA CONDENAÇÃO DE NEY SANTOS

Caso o Tribunal de Justiça siga o parecer — algo comum —, fica mantida a pena de:

  • 3 anos e 9 meses de prisão
  • Regime inicial semiaberto

O flagrante que mudou tudo

O caso remonta a 28 de fevereiro de 2019, na rodovia SP-332, em Cosmópolis (SP).

Ney Santos estava em um carro oficial da Prefeitura de Embu das Artes quando o veículo foi abordado pela Polícia Militar Rodoviária.

Na foto Ney Santos ,Lenon Roque (algemado) e Delegacia de policia de Cosmópolis/foto divulgação

Ao volante, estava Lenon Roque, agente penitenciário afastado.

Na revista, os policiais encontraram:

  • Pistola calibre .380 com numeração raspada
  • 45 munições
  • Três carregadores
  • Mira a laser
  • Colete balístico
  • Algemas e faca

Lenon assumiu a posse da arma e afirmou que fazia a segurança do prefeito.

Pistola .380, com numeração raspada, 3 carregadores cheios e mais 5 balas (total 45) que estavam com Lenon

Consciência ou coincidência? O ponto central

A defesa de Ney Santos sustenta que ele não sabia da existência da arma ilegal.

Mas o Ministério Público contesta essa versão.

Segundo o parecer:

  • O ex-prefeito viu que o motorista estava armado
  • A quantidade de armamento no veículo torna a alegação de desconhecimento inconsistente
  • Houve anuência na conduta criminosa

O documento afirma que Ney tinha “inegável ciência” do transporte da arma com numeração suprimida.

Para a acusação, não se trata de coincidência, mas de participação consciente.


Bastidores que ampliam a gravidade

O parecer também revela elementos que aumentam a complexidade do caso.

  • Uma denúncia anônima indicava possível deslocamento para execução de um “antigo parceiro”
  • Lenon era conhecido como “executor”
  • Já havia sido afastado das funções públicas
  • Respondia por tentativa de homicídio

Mesmo diante desse cenário, segundo o MP, Ney Santos:

  • Permitiu sua atuação como escolta
  • Autorizou sua presença em veículo oficial
  • Seguiu viagem em circunstâncias consideradas mal esclarecidas

A decisão que pode ativar a Lei da Ficha Limpa

Se o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmar a condenação, o impacto será direto no campo político.

Ney Santos poderá ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que impede candidaturas de políticos condenados por órgãos colegiados.

Na prática, isso pode significar:

  • Inelegibilidade por até 8 anos
  • Impedimento de disputar eleições
  • Reconfiguração do cenário político em Embu das Artes

Muito além do tribunal

O caso ultrapassa os limites do Judiciário.

Ele coloca em jogo não apenas a liberdade do ex-prefeito, mas sua permanência na vida pública.

No centro da decisão, está uma questão crucial:

Ney Santos era apenas um passageiro — ou participou conscientemente do crime?


Conclusão

A decisão final ainda será tomada pelo Tribunal de Justiça.

Mas o parecer do Ministério Público traça um caminho claro: manter a condenação.

Se isso acontecer, Ney Santos pode enfrentar não apenas as consequências penais, mas também o fim de sua elegibilidade política.

E você, qual sua avaliação sobre o caso?