Após denunciar aluguel suspeito, Paixão é cercado por viatura e levado à Delegacia da Mulher

Comerciante ligada a contrato público aciona GCM após encontro casual em prefeitura; boletim revela que Paixão não havia sido intimado da medida protetiva

Após denunciar contrato de aluguel suspeito em Embu das Artes, Paixão é conduzido à Delegacia da Mulher após acusação de comerciante.


Da denúncia pública à condução policial

O que começou como uma crítica política nas redes sociais terminou com sirenes, abordagem policial e comparecimento à Delegacia da Mulher.

O protagonista é João Caetano da Paixão, aposentado e conhecido crítico da política de Embu das Artes. No centro da polêmica está Antônia Roziélia Rodrigues da Silva, a Rosi da Padaria, comerciante ligada a um contrato de aluguel com a prefeitura que vinha sendo duramente questionado por ele.

O encontro entre os dois dentro da Prefeitura de Taboão da Serra desencadeou uma sequência de acontecimentos que agora repercute em toda a região.

O contrato que acendeu o conflito

Meses antes do episódio policial, Paixão vinha denunciando publicamente um contrato firmado entre a Prefeitura de Embu das Artes e um imóvel pertencente à comerciante.

  • Dispensa irregular de licitação
  • Pagamento de aluguel por imóvel ainda em construção
  • Valores considerados incompatíveis com o mercado local
  • Possível prejuízo ao erário

Segundo documentos do processo, o imóvel teria sido alugado por cerca de R$ 17.500 mensais, mesmo sem estar pronto para uso público.

O Ministério Público apontou indícios de emprego irregular de verbas públicas e recomendou a suspensão dos pagamentos até apuração completa.

A própria Justiça entendeu haver risco de dano ao erário, determinando medida liminar para interromper a continuidade do contrato.

A reação judicial de Rosi

Sentindo-se atingida pelas denúncias e pelas acusações públicas feitas em vídeos e transmissões ao vivo, a comerciante ingressou com ação por danos morais.

Entre os pedidos:

  1. Retirada de conteúdos das redes sociais
  2. Multa por novas publicações
  3. Proibição de aproximação de Paixão a menos de 200 metros

A medida foi concedida — mas um detalhe decisivo só viria à tona meses depois.

O dia em que tudo explodiu

Em 12 de março de 2026, Paixão estava na Prefeitura de Taboão da Serra tratando de assuntos pessoais quando Rosi chegou ao local.

Segundo o boletim policial, ela afirmou acreditar possuir medida protetiva contra ele e deixou o prédio. Minutos depois, preocupada com a presença do carro dele nas proximidades, decidiu acionar a Guarda Civil Municipal.

A abordagem foi imediata.

Guardas cercaram o veículo e conduziram Paixão à Delegacia de Defesa da Mulher.

A bomba jurídica dentro da delegacia

Ao analisar os autos do processo, a delegada constatou um ponto crucial:

Paixão não havia sido formalmente intimado da decisão judicial que determinava a medida protetiva.

Sem ciência oficial da ordem:

  • Não houve prisão em flagrante
  • O caso foi registrado apenas para depoimentos
  • Foi somente ali, na delegacia, que ele tomou conhecimento formal da restrição

O episódio escancarou uma falha processual relevante.

Uso estratégico ou proteção legítima?

O caso levanta questionamentos na região.

A medida protetiva é instrumento essencial de proteção a mulheres em situação de risco. Porém, neste episódio:

  • Não havia relação íntima entre as partes
  • O conflito tinha origem política e financeira
  • O encontro ocorreu em prédio público
  • A acusação surgiu em meio a denúncias sobre dinheiro público

Para parte da população, o acionamento policial acabou ampliando um conflito que já estava judicializado.

A comerciante no centro da crise

Além de comerciante conhecida, Rosi aparece em documentos judiciais como beneficiária direta do contrato de locação questionado, o que intensificou o debate público.

A situação ganhou contornos ainda mais sensíveis por envolver possíveis ligações políticas com integrantes da gestão municipal.

Perguntas que seguem sem resposta

  • Por que a intimação judicial não foi cumprida por meses?
  • O contrato de aluguel seguiu critérios técnicos de mercado?
  • Houve direcionamento na contratação?
  • O acionamento policial foi proporcional ao contexto?

Enquanto essas questões permanecem em aberto, a crise política se aprofunda.

Conclusão: quando denunciar pode ter custo alto

O caso reúne elementos explosivos:

  • Denúncia de contrato público suspeito
  • Ação judicial por difamação
  • Medida protetiva concedida
  • Falha processual
  • Abordagem policial
  • Repercussão política regional

E um fato incontornável:

Paixão só soube da ordem que poderia levá-lo à prisão quando já estava dentro da delegacia.

Nas ruas de Embu das Artes, a pergunta que ecoa é direta:

Denunciar irregularidades virou risco pessoal na política local?